Os principais erros em projetos de média tensão e como evitá-los

Guia técnico para engenheiros, integradores e gestores que buscam segurança, conformidade e eficiência

Projetos de média tensão exigem precisão, conhecimento técnico atualizado e conformidade rigorosa com normas e padrões de segurança. Ainda assim, falhas na etapa de projeto são mais comuns do que parecem e podem gerar riscos, atrasos, retrabalhos e custos elevados em campo.

Neste artigo, reunimos os erros mais recorrentes em projetos de média tensão e as melhores práticas para evitá-los desde a fase de engenharia.

1) Especificação incorreta do equipamento de média tensão

Um dos erros mais críticos é selecionar equipamentos sem considerar completamente o ambiente, a carga, a topologia da rede e as condições de operação.

Problemas comuns:

  • Escolha de cabines ou cubículos inadequados para ambientes úmidos, salinos ou com poeira.
  • Seleção de equipamentos sem a classe de tensão correta, como 15 kV quando o sistema exige 24 kV.
  • Falta de atenção às exigências de concessionárias, que variam entre regiões.
  • Especificação de grau de proteção IP abaixo do necessário para o ambiente.

Como evitar:

  • Avaliar corretamente o ambiente, seja interno, externo, severo, ventilado ou confinado.
  • Verificar as normas das concessionárias, como ENEL, CEMIG, COPEL e EDP.
  • Conferir classe de tensão, IAC, IP, corrente nominal e corrente de curto.
  • Priorizar fornecedores com soluções certificadas e projetos customizáveis.

2) Ignorar normas essenciais do setor

A norma mais importante para painéis e cabines de média tensão é a NBR IEC 62271-200. Ainda assim, ela é negligenciada em muitos projetos.

Problemas comuns:

  • Ausência de ensaio de arco interno.
  • Dimensionamento inadequado da corrente suportável de curto-circuito.
  • Falta de conformidade com tensão suportável a 60 Hz e impulso atmosférico.
  • Escolha de equipamentos não ensaiados por laboratórios reconhecidos.

Como evitar:

  • Verificar se o equipamento possui todos os ensaios exigidos pela norma.
  • Exigir relatórios de CEPEL, USP ou laboratórios acreditados.
  • Tratar normas técnicas como critério inicial e não secundário da especificação.

 

3) Dimensionamento inadequado de cargas e transformadores

Dimensionar energia “por aproximação” é um erro clássico que leva a subdimensionamentos perigosos ou superdimensionamentos caros.

Problemas comuns:

  • Potência do transformador incompatível com a carga real.
  • Correção de fator de potência ignorada.
  • Ausência de estudos de curto-circuito.
  • Falta de previsão de expansão futura do sistema.

Como evitar:

  • Realizar estudos elétricos atualizados.
  • Projetar transformadores, cabos e chaves com margem adequada.
  • Incluir cenários de crescimento da carga.
  • Utilizar softwares e ferramentas de cálculos conforme as normas vigentes.

4) Escolher entre média tensão e baixa tensão sem análise técnica adequada

Decidir se determinada parte do sistema será alimentada em média tensão ou baixa tensão exige estudo detalhado.

Problemas comuns:

  • Adotar baixa tensão quando o consumo já exige média tensão, o que causa perda de eficiência e limitações técnicas.
  • Adotar média tensão quando o projeto seria mais econômico em baixa tensão.
  • Ignorar queda de tensão em grandes distâncias.

Como evitar:

  • Comparar cenários entre média e baixa tensão com base em corrente, distância, carga e custo total.
  • Considerar transformadores, perdas e disponibilidade da concessionária.
  • Avaliar impactos em segurança, infraestrutura civil e manutenção.

 

5) Não prever interfaces corretas entre média tensão, baixa tensão e automação

A integração elétrica é uma das maiores causas de falhas em campo, especialmente quando equipes diferentes realizam etapas distintas.

Problemas comuns:

  • Falta de alinhamento entre a empresa responsável pelo painel de média tensão e a responsável pelo QGBT.
  • Erros de comunicação entre proteções e sistemas de comunicação. 
  • Ajustes inadequados de relés de proteção.

Como evitar:

  • Trabalhar com fornecedores que entregam soluções integradas, como painel de média tensão, QGBT e transformador.
  • Realizar comissionamento completo, incluindo testes de proteção.
  • Padronizar protocolos de comunicação e documentar todas as configurações.

6) Desconsiderar condições reais de instalação

Mesmo um painel tecnicamente correto pode falhar se instalado no ambiente errado.

Problemas comuns:

  • Falta de ventilação adequada ou calor excessivo.
  • Ambientes severos com poeira, umidade, vibração ou salinidade.
  • Espaço insuficiente para manobras e manutenção.

Como evitar:

  • Realizar visita técnica antes da definição final do equipamento.
  • Aplicar o grau de proteção IP adequado ao ambiente.
  • Especificar cubículos a gás SF₆ para ambientes severos.
  • Garantir espaço técnico mínimo conforme recomendações de segurança e normas da concessionária local.

 

7) Não considerar prazos de fabricação e requisitos logísticos

Um projeto tecnicamente correto pode falhar na execução quando fatores logísticos e prazos de fabricação não são considerados desde a fase de engenharia. Em sistemas de média tensão, equipamentos como cubículos, cabines ou painéis possuem processos industriais específicos e exigem planejamento adequado de transporte, instalação e comissionamento.

Se essas variáveis não forem consideradas no cronograma do projeto, podem ocorrer atrasos significativos na obra, incompatibilidade entre prazos de engenharia e fabricação, além de dificuldades operacionais na entrega e movimentação dos equipamentos.

Problemas comuns:

  • Prazos incompatíveis com a fabricação do painel de média tensão.
  • Falta de estrutura para içamento ou transporte adequado.
  • Especificação de equipamentos indisponíveis no país.

Como evitar:

  • Priorizar fornecedores com produção nacional e alta capacidade fabril.
  • Validar logística, transporte e prazos antes de fechar o projeto.
  • Planejar cronogramas com folga técnica para testes e comissionamento.

 

Conclusão

Projetos de média tensão exigem visão integrada, conhecimento técnico e atenção a normas essenciais. Erros de especificação, dimensionamento, integração ou ambiente podem gerar retrabalhos caros, riscos à segurança e atrasos no cronograma.

Ao entender e evitar essas falhas desde a etapa de concepção, engenheiros e gestores aumentam a confiabilidade do sistema, reduzem custos e garantem maior segurança operacional.

Se você deseja especificar painéis, cabines ou cubículos de média tensão com total segurança e suporte técnico especializado, a equipe da Gazquez pode ajudar.

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